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Mulheres que nos (d)escrevem - Capítulo 1 - Ana Paula Tavares

Mulheres que nos (d)escrevem - Capítulo 1 - Ana Paula Tavares

Há mulheres que não escrevem apenas livros. Escrevem-nos por dentro, muitas vezes antes de sabermos quem somos ou como nos dizer. Esta série nasce desse reconhecimento: o de que certas autoras africanas não se limitam a contar histórias, mas ajudam a nomear identidades, a devolver dignidade ao vivido e a ampliar a forma como habitamos o mundo.

Começamos esta série em Angola, com uma autora incontornável da literatura angolana contemporânea. Ana Paula Tavares é frequentemente associada a uma escrita que cruza história, memória e experiência feminina, abrindo espaço para narrativas que durante muito tempo ficaram à margem.


Escrever a memória


Nascida no Lubango em 1952, Ana Paula Tavares é poetisa, historiadora e investigadora. A sua obra é frequentemente referida em estudos académicos pela atenção à memória cultural angolana, à tradição oral e às experiências femininas ligadas ao quotidiano, à terra e aos rituais.

Em títulos como O Lago da Lua ou A Cabeça de Salomé, recorrentemente mencionados pelos seus estudiosos, surgem imagens da vida familiar e comunitária, de práticas transmitidas entre gerações e de uma relação íntima com o território. A memória aparece aqui como um fio que liga experiências, saberes e gestos do dia a dia.

O corpo feminino ocupa também um lugar central neste universo. Não como símbolo abstrato, mas como espaço vivido. É a partir do corpo que essa memória se preserva e se transmite, através do gesto e da escuta.


O corpo como lugar de permanência


A escrita de Ana Paula Tavares convida a um tempo mais lento, atento aos detalhes e ao silêncio. É nesse ritmo que surgem reflexões sobre identidade, pertença e herança cultural, integradas na vida quotidiana e nas relações humanas.

Talvez por isso a sua voz seja especialmente pertinente para o início deste novo ano. Janeiro pede pausa, balanço e regresso ao essencial. A obra de Ana Paula Tavares acompanha esse movimento, lembrando-nos que todo o recomeço se apoia em raízes.

Ao abrir esta série com Ana Paula Tavares, escolhemos começar por uma escrita que permanece. Uma voz que nos convida a escutar o que é essencial, a reconhecer as nossas raízes e a respeitar os ritmos próprios do corpo e da memória. Um convite simples e profundo, que ecoa a forma como acreditamos que o cuidado e a beleza devem acontecer: abraçando a nossa natureza.


Referências bibliográficas


Universidade Estadual do Piauí. Repositório Institucional. Estudo académico sobre a poesia de Ana Paula Tavares, com enfoque na memória cultural, tradição oral e subjetividade feminina na literatura angolana. Acesso em: 19/12/2025. Disponível em: https://sistemas2.uespi.br/handle/tede/253

Buala. “The oral tradition is for me a cult” — Entrevista a Ana Paula Tavares. Acesso em: 19/12/2025. Disponível em: https://www.buala.org/en/face-to-face/the-oral-tradition-is-for-me-a-cult-interview-ana-paula-tavares

Wikipedia. “Ana Paula Ribeiro Tavares”. Acesso em: 19/12/2025. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Paula_Tavares


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